sábado, 3 de agosto de 2013

Sobre cada segundo das luas.

Me arranque desses bares escaldantes
Não, amor, não somos amantes
Somos a maciça polpa
Me poupa dessas inspeções que fazes
Se quiser, somos cartazes
Expostos noite afora,
Constrangendo esses aí, que vão morrendo.
Amor, faz o favor
E trate de beijar cada senhora,
Pra que sintam isso tudo
O que sinto agora.
Deixe que dos moços cuido eu
Ah, aproxime-se querido plebeu.
Como o mundo pode não conhecer
É quase crime! Nos deveriam prender
Estamos à altura
Nos enterremos no céu, numa mesma sepultura
Que esse mundo sequer nos merece.
Só eu vejo a forma que ele perece?
O amor, esse sim me endoidece!
Meus poemas são quase uma prece
Meu amor inteiro é uma reza
Essa, que você boceja, despreza
E eu vou colher as sementes
Nos olhos amados, quase doentes.
Mas não ouse chamá-los amantes
Os amores são todos gigantes
E o de agora não é como o de antes
E a vida, minha amorosa criatura
Desacostuma: goza e amargura
E nos põe a todos doentes
Da pinga quente, fervente
Que escorre do céu, das estrelas
Depois nós somos os decadentes
Felizmente, o que eu sinto tu sentes,
Não sentes?
Depois vamos todos pra casa,
Curvados à luz do dia, que é rasa
Ou ela nos bate na porta
[às vezes arromba,
- a vida me assombra].
E a gente aguenta calado
Mas não há qualquer desculpa
A verdade é que a vida tá morta
Com o seu pano surrado
Disfarçada de adulta.

3 comentários:

  1. Muito bom. Deixe-me deixar meus singelos parabens. Teus poemas são muito bons. Como é bom ver que ainda existem pessoas com a mente assim, por aqui.

    Gostei do blog,
    Abraço pra ti,

    Jadson L Ribeiro
    www.jadsonlribeiro.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Lindo poema, parabéns. Adorei o blog.

    ResponderExcluir
  3. Sensacional é pouco pra esse aqui.

    ResponderExcluir

(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...