quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Minha deusa ilha

Das águas bravas se levanta uma ilha
Que já era ilha no fundo do mar
Ergue-se a ilha dos condenados
Privados, nessa vida, de amar.

Nasce com ela as mais belas ilhas
Como uma mulher, prestes a acordar
E barcos de muitas, muitas milhas
Ancoraram nas areias a lhe estuprar.

Engoliram seu verde naturalíssimo
Construíram celas de uma prisão
Fizeram de um paraíso belíssimo
Riachos de lágrimas brotados do chão.

Os seios das deusas de minha terra
Viraram os picos de referência
A areia escureceu, virou lama e terra
E seus milhões de sonhos, reticência.

Em tua pele os homens enterrados
Descobriram o porquê dos vendavais
Provaram do amor, maior pecado
De enlouquecer pobres seres carnais.

Nasceu a mais bela cachoeira
Das miragens dos seus fugitivos
E a água tornou-se a bebedeira
Dos vermes que se engoliam vivos.

E da bravura de um povo tão forte
Surgiu a cura da doença fatal
Puseram abaixo os jurados de morte
Que perpetuaram na abundância do sal.

E os bravios nadadores valentes
Foram encontrados no litoral
Seus corpos viraram sementes
As almas descobriram no cal.

Um comentário:

  1. Lindo e não há necessidade de dizer nada mais. Que tua deusa conduza tuas mãos e pensamentos.

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(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...