segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pelas Vitrines Do Teatro Municipal.

Morando na rua,
De teto a Lua
A esperança nua
E a poesia crua
Como poeta atua
Coberto de jornal.

Nas letras analfabetas
As moças diletas
As almas desertas
Faltam-lhes cobertas
E nuas, as festas
Entopem as frestas
Do Teatro Municipal.

E as poças caladas
Por estrelas armadas
Organizam ciladas
Calando as risadas
E de vestes surradas
Morrem nas calçadas
Reflexos do mal.

Me fez um poema
O menino sai de cena
Me olhou com uma pena
De alma amena
Pelo olhar constrangido
Ao pensar ser bandido
E me assaltar comedido.

Com letras de garrafa
Falou do pescoço de girafa
E da casa de fumaça
Que aparecia no céu
E que se tivesse anel
Não daria um cordel
E se não morasse ao leu
Me arranjaria outro papel
(estava todo manchado)
Pra sua performance
(e com o verso riscado
Por não ecoar rimado
De-ses-pe-ra-do
Pr’eu lhe perdoar).

E não me deixaria ser a moça
Que da janela enxuga a louça
E se reflete na poça
De amor no céu
E quando tá tarde
Meu peito até arde
Com tanto alarde
Julgado o réu:
Culpado!
Por também ser amado.

3 comentários:

  1. Das gavetas do Chico Buarque que tava montando um castelo de areia na praia, enorme, e alguém foi lá e puf, pulou em cima da barriga. E o pior: a sensação é ótima.

    Não pára de escrever não.

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  2. O final. Ah! Roubou-me um risinho. As imagens que você pinta com poesia me deixam assim: sorrindo, sorrindo.
    Dona Passarinha, trazes ventos leves e deliciosos para se voar. Não para nunca de escrever, tá bom?

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  3. Agora quando olho meu amado Teatro Municipal, procuro por teu ninho bem no alto dos pinos. És foco aceso a nos espiar.

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(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...