sexta-feira, 4 de maio de 2012

Metáforas sempre entregam as dores dos atores.

Sua desordem me consome e eu estou faminto
Não importam quais direções eu corra o fim
Está sempre mais distante do que me aparenta
E banhado em mágoas se afogou, meu distinto
Sentimento; como as pragas a engolir o jardim
Na esperança de intensificar minha tormenta.

E eu estou ensurdecido, pois gritos violentos
Me consomem os lábios e a estourar ouvidos
Eu sigo calado. Mudo. Tragando toda a dor
Me imagino mais que mil sacos de cimentos
Carregados por um caminhão de vidros
Onde descanso infindável o doentio torpor.

Mas se há uma escolha a ser feita no meio disso
Segure em meus ombros, me deixe conduzi-la
Para bem longe do mar de injustiças que caímos
E que haja qualquer cousa além do compromisso
De afiar tua alma impura, injusta, que destila
No ódio daqueles que, imaturamente, ferimos.

E me deixe carregar o fardo grosseiro de ser seu
Mesmo quando não há nada de belo a transcrever
Mostrando que os versos que te faço, não nascem,
Mas morrem. Como, se teu grande poeta morreu?
Ao se tornar vogal minúscula que você quis escrever
Na esperança que suas letras não se engarrafem.

E sua punição é da mais doce, mas reconquistar dói
Então cuidado com aqueles que até lícitos magoam
Os pobres vermes de um coração simplesmente mudo
Como um saco de cimentos que suave se constrói
Num muro enorme de vidros; como gritos que entoam
Melodias perfeitas; já que surdos não ouvem de tudo.

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