sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nasce poeta, morre Poeta.

Você não é uma menina como uma flor porque não existe menina tão florida como você: com as sapatilhas levinhas e o vestido bordado, porque as mocinhas do menino Vinícius falsificaram-se em tantas outras que ‘té perderam o charme. Mas você é uma menina de um Poeta, o que é muito melhor e mais concreto. Porque você gosta de dançar quando o mundo parece feio e morde os lábios devagar, molhando-os, delicadamente, sorrindo como que para me deixar apaixonado. E porque você tem medo de me perder e sente saudade quando eu não ‘to por perto, conta pros passarinhos que eu sou um bobo por ter medo de perder uma menininha tão pequenininha como você. Porque você é a menina d’um Poeta e todo mundo sabe que você é maravilhosamente linda e você é incansavelmente amada e porque você tem os lábios mais bonitos do mundo, que mudam de cor cinquenta vezes por minuto e vão transparecendo do vermelho-apaixonado pro roxinho-dengoso até o vinho-sedutor e vai me matando de vontade de beber você enlouquecidamente, me drogando com seu álcool limpinho e purinho. Porque você tem um Poeta que engole a seco sempre que você tem que ir e eu fico sozinho, quietinho, e, às vezes, até choro. Mas nunca que eu admitiria uma cousa dessas, não é mesmo? Porque eu demorei menos de uma semana para admitir que eu te amo e porque eu quase enlouqueci para lhe escrever um soneto inglês e te apaixonar perdidamente por mim... Porque eu tremia inteiro enquanto lia, e, ao te pedir em namoro, quase chorei feito uma criança fazendo birra só pra você me aceitar com os defeitos também. Porque você suspira tão bonito e me faz te olhar sorrindo e suspirando, como se fosse até normal. Porque você é a menina de um Poeta e eu te deixo bilhetinhos – com riminhas e haikais – por todas as cousas e te envio mensagens quando não estou por perto e fico um dengo quando você está. Porque nós dormimos juntos desde que descobrimos que estávamos apaixonados um pelo outro e você jura que eu suspiro enquanto durmo ao seu lado, ou que acordo no meio da noite e nem sei. Porque você é pequenininha e já é abraçada pela rotina, mas eu sinto ciúmes e, de vez em quando, me visto de cavalheiro errante e, com armaduras, capacete, ombreiras e joelheiras – para não ferir meu corpo que você tanto cuida para deixar ao seu agrado... Eu me visto de cavalheiro e estendo a espada afiadíssima contra a rotina, impondo um duelo sobre o corpo da princesa mais bonita. Porque você é a menina de um poeta e depois que eu disse que te amava, todo mundo ficou contra nós e nos abraçamos coladinhos, com medo do frio e dos desa(l)mados. Porque você ri quase sem som e vai ficando grave ‘té começar a rir feito uma boba enquanto sua mãe te imita e te deixa nervosinha e você vai corando, corando, corando e eu vou sorrindo, sorrindo e corando, corando junto porque eu sei que ela já sabe que nós nos amamos desse jeito assim todo poético. E a minha mãe quer te ouvir e eu deixo vocês conversarem porque sorrio todo bobo no canto da sala imaginando que você não meça as palavras e se confunda toda, chamando-a de sogrinha e causando uma confusão danada enquanto tenta consertar e ela descubra que você sonha em me deitar em seus braços e me transformar num poeta de verdade, porque ‘cê sabe que poeta só é Poeta depois que vive de poesia e eu ainda to morto porque passo fome de você... Não sei se ainda existe menina assim como você - dessas que transformam qualquer um em poeta - nos braços, nos lábios, na ponta da língua e, quando nos encontrarmos, eu vou saber de cor cada partezinha do seu corpo e vou sair manchando-a de poesia e limpando todas as impurezas de sua alma meio errada, meio crua, meio feia.
Porque eu sou o seu poeta e nós fomos predestinados e eu fui fácil demais para você e você riu um bocado quando eu perguntei se sou fácil e você me chama de medroso, com todo esse seu charme, e, por mais que eu negue, nós sabemos que eu sou sim. E sorri toda boba, cheia de orgulho, quando eu conto que te escrevi poesia e faço seu maxilar doer quando almoço direitinho e você jura que vou engordar um bocado quando nos casarmos (e ‘cê sabe como que se faz para massagear o maxilar, não sabe? eu faço questão de dar uma força pra melhorar rapidinho) e vamos morar numa casinha pequenininha no campo, com um andar debaixo da terra onde vou guardar os poemas que tanto te escrevo - já que nessa primeira semana quase lhe fiz um livro, imagine até lá como estaremos?! – e vou te pegar nos braços e vamos mergulhar em folhas e versos e vamos fazer amor naquela estradinha deserta numa noite estrelada de lua cheia e vamos passar as manhãs de domingo nadando e, nos fins de tarde, andando de barco e, para quebrar a rotina, vamos espalhar poemas de amor nas caixas de correio e colar sonetos nos postes. Vamos ter dois filhos porque você quer uma menina, mas eu quero um menino e vamos ter um cachorro para correr atrás do carteiro e derrubar nossos meninos no chão e um gatinho para que ele seja o primeiro a gostar de você (qualquer cousa eu recito um poema que te fiz para ele e duvido que não se apaixone). Vou te cantar Chico, dançar com Elvis, contar histórias do Tom e recitar Vinícius e lhe escrever milhões de livros e me tornar seu poeta preferido, então ficaremos famosos como o casal mais apaixonado do mundo inteiro e vamos viver escondidinhos - onde só o Sol nos encontre às cinco da manhã quando cair sobre nossa cama por uma frestinha na janela -, caladinhos – onde só os passarinhos possam ouvir nossa respiração e cantar feito loucos apaixonados -, com medo de chuva, debaixo da cama, quando os trovões rugirem. E eu vou sair correndo, no meio da noite, para fechar as janelas porque você tem medo dos raios que rabiscam o céu da noite nublada. E vou levantar uma cabana, sonolento, roçando as costas das mãos nos olhos, no meio da madrugada, para que nada nesse mundo seja capaz de nos encontrar. E vamos eternizar as noites e criar uma noite de muitos e muitos anos, sem sair do lado um do outro... Porque você é a menina de um poeta, do Poeta, do Poetinha, e vamos poetar juntinhos, coladinhos bem assim, meio mundo com o intuito de deixá-lo ainda mais bonito, afim de caber nele nem que seja pela metade.

3 comentários:

  1. Não é bonito fazer a mamãe chorar assim, viu? Por você ser tão doce que eu sinto que o mundo ainda tem jeito. Que o mundo ainda tem cores.

    A sua menina agora faz parte da família e eu já gosto dela um bocado. Quando caminhos bonitos assim se cruzam, o mundo deveria parar para ver e admirar. Como eu fico admirada até a alma. Amor bonito de se ver.

    Eu te amo tanto. <3

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  2. Chorar de felicidade pela felicidade dos outros... chega a ser estranho em alguns momentos. Mas quando a primeira lágrima cai, e você não consegue mais parar... lá no fundo você começa a perceber que é a mais pura felicidade que podes sentir.

    Obrigado por proporcionar ao mundo mais esse amor sincero que espalhas através desses tão bonitos poemas para todos os cantos necessitados de amor.

    -Mu

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  3. Uma das coisas mais bonitas que já li. Fui acompanhando com o coração, com um sorriso no coração, com nuvens nele também, fui flutuando, sentindo o vento fresco que me trazia uma sensação de leveza sem tamanho.
    Um amor lindo, uma história linda... Uma lindeza só, ah!

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(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...