sexta-feira, 6 de abril de 2012

Minha mulher, Brasil.

Minha língua a desvenda
(os pratos típicos)
E em seu sexo, queima
(em rastros místicos)
Quem faz poema
Com uma cousa dessas?
Eu, que nem deixei brechas
Que nem fiz cena
E aceitei de peito surrado
O sexo já sobrado
E o meu, faltado
Pois, casta, fui cristalizada
E sua língua supria-me
(as vestes rasgadas
De tão expulsa que fui)
Pelo amor.

Como minha terra, é maresia
E tua perna faz sintonia
Com maré que vem e vai
Excitante
Como quem cai
De cima da estante
(como foi à fotografia
De minha terra antiga
‘té pouco fria
Que nevava, mas vinha guerra:
Amor que berra
Fingindo que arria
A corda em meu pescoço)
Gozado, o mundo lá fora
‘Tá ‘té zoado!
Mas na escola dá pra tentar de novo
Mordo-lhe os seios
Cobertos de prazer
Em minha saliva
(mundo de lazer
Dá angústia viver)
Mal amadureci
E já fui desfrutada
De alma roubada
Sem ousar não sorrir

Porque ‘cê sabe...
Quando suas pernas abrem
É mais Brasília que se enfia
Não me deixando fingir, que sorria,
Pra você me desculpar
Terra querida, bem me desfrutar
Que já fui comida pelo turista
(a se enganar)
Sobre o país perfeito
Abaixo do seu peito
Com vista pro mar.

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