terça-feira, 10 de abril de 2012

Ir-me embora pra São Paulo.

E se São Paulo
Soubesse o ABC
Ele quereria juntar-se
Com uma consoante
(e duas vogais?)
De uma cidade molhada
De sanidade varrida
Que de amor só orvalha
E tem morena ‘té despida
E faça nascer um rio imenso
Inda bem, porque aqui é um calor danado
[quando a saudade aperta não tem incenso
Que afaste o tanto de pensamento ousado]
E, de amor, falo bobagens
Repito e repito como quem nunca para
E escrevo até nas margens
Da Guanabara.
E de tanto que adocico
Dá pra doar pro Pão de Açúcar
E, pra velar o nosso amor, tem o Cristo
Redentor, que apesar de mal visto
Tem amor pra tudo quanto é estado
E olha o meu estado
De amor total
Pronta pra deixar a praia de lado
E o calor da capital
Pra me esconder nos teus braços
E fazer rima nos prefácios
E esquecer ‘té do Municipal
Da Garota de Ipanema, Leblon, Pontal
E do cantar do sabiá
Do meu Rio encantado
Que dó que me dá!
Mas deixaria ali do lado
Samba no pé, rima na praia
Mania de festa, jornal carioca
Falta de fé, moças de saia
Riso que resta - e até a pipoca
Do moço Raimundo
Que engole poesia
E vomita o mundo
Quase todo dia
A rimar a cidade
Com o sol da tarde
Pra aplaudir
De plano de fundo -
Só pra viver em São Paulo
Onde todo dia vou rir
E até o que lhe é imundo
Transformarei em prosa
Pra agradar minha rosa
Que disse que me faria
A sua melhor poesia.

Um comentário:

(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...