sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ao pé de laranja lima eu deixei minha poesia.

Monnet pintou aquele céu com suas próprias mãos pra trilhar nosso encontro ao pé daquela laranjeira que dançava como em uma pintura de Van Gogh. E as montanhas de Guignard, ao fundo, prendiam teus olhares apaixonados pela arquitetura perfeita e natural do artista. Seus olhos pareciam uma composição de Delacroix, que fitavam deslumbrados o mundo a nossa volta. Eu brincava, sem perceber, com as flores do jardim ao nosso redor, rabiscado pela paciência de Monnet. Parece que foi ontem que você saltitava por cada espaço vago – quase inexistentes – que encontrava pela frente, pois não podia maltratar as florzinhas que sorririam para mim, quando me vissem. Porém, eu discordo! Quando elas sentiram sua presença, seu perfume, puseram-se a dançar de uma forma tão graciosa que se devemos culpar alguém, pela sensibilidade ímpar, esse alguém é você, enfeitada de grinaldas. O mais bonito é que nós estávamos tão escondidos na paisagem que só fazíamos parte dela, sem protagonizar coisa alguma. Aprendi isso quando te encontrei escondidinha detrás daqueles olhos apaixonados por tudo a sua volta. E quando você me sorriu pela primeira vez, corou com uma graça tão purinha, tão levinha, que parecia ter sido borrada pelos dedos dançantes de Botticelli. Sem contar que seduzia qualquer um que chegasse perto e que apaixonava os amantes de geografia porque se fazia um mundo novo a descobrir... Diferente de tudo o que qualquer pessoa já teria visto.
Nos vi deitados em meio àquelas flores, na sombra da árvore dançante e aos pés do céu apaixonado, corados com o mundo que encontramos ao sentir o baque de corações que tropeçaram ao batermos os olhos um no outro.

Um comentário:

(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...