terça-feira, 18 de outubro de 2011

Do dia em que virei fogos de artifício.

Vê só o que me tornei! Virei fogos de artifício!
O canto dos pássaros não me comove mais
Não posso nem mesmo colocar a culpa em ti
Choro poesia nessa amassada folha de ofício
Debruçado sobre o oceano, num cais
Como um velho calado, que nem mais sabe rir.

Os pescadores comentam em silêncio aos navegantes
“Aquele homem nunca deixou de amar”
Finjo que não ouço, dou de ombro e me concentro
No oceano que grita o nome de minhas amantes
Nos pássaros que insistem em me gozar
E nas tempestades, que me apavoram noite adentro.

Vejo alguns navios por semana, gritando com o mar
Vejo golfinhos saltitando esperando por plateias
Ouço canções que nem sei o nome, nem o compositor
Espero calmo que a morte venha e me ajude a naufragar
E comigo, afoguem-se as grandes e famosas epopeias
Na noite serena que atira contra meu nariz seu frescor.

O mar tanto me embala como numa valsa lenta
Quanto os pássaros gritam inquietos a me enlouquecer
Não reclamo e nem mesmo tampo os ouvidos ao mundo
Como aquela ilha, que me encara pouco atenta
E a menina jornalista, que insiste em me engrandecer
Mesmo provando a todos, que sou apenas um moribundo.

Desafiando as leis do universo, eu ando sobre a água
Ando lento e poeto desafinado sem esperar qualquer ouvinte
Poeto à natureza, poeto aos dias e ao mar e aos pássaros
Encontro beleza na minha solene e própria mágoa
E sem delongas, passo para o poema seguinte
Enquanto ignoro os gritos de socorro desses céus bárbaros.

E vem a chuva, explodo poesia, explodo prosa,
Calado, me diluo na água do mar que vai virar tinta
Autêntico, deixo o mar se transformar em verso
Pra deixar toda a população um tanto carinhosa
Para que a minha garota, ao entrar no mar, me pressinta
E o faça mais bonito que todo o resto do universo.

Um comentário:

(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...