sábado, 9 de julho de 2011

O homem não era prosa, era rima.

Escrevi sobre poesia e o tal do senhor poeta saltou da folha de papel, me olhou com lágrimas piedosas quase a escorrer na face, me sorriu com lábios tão macios que quereria eu poder tocá-los. O tal senhor poeta emitia um brilho que saía de seu corpo como o suor sai do homem apaixonado. Saía um brilho bonito, de se aplaudir de pé. De se aplaudir chorando, “chorando sorrindo”.
Quieta, dei um passo até ele, mas o mesmo tocou em meu ombro me fazendo ficar e fui inundada por um amor tão grande e tão bonito que compus versos e rimas e saíam descontroladas pela minha voz. Percebi que estava falando demais e tentei me calar. Mas aí ele falou - ah que voz - eu nunca havia ouvido um poeta falar... E ele falou, falou devagar e calmo para não ter de repetir palavras tão calculadas, tão metrificadas, tão poetadas. Me mandou não pensar, agir por impulso, deixar estar.
Mas eu estava hipnotizada, queria ouvi-lo mais, queria lê-lo, queria senti-lo, queria ter mais do que só uma visão, queria conhecê-lo, desvendá-lo, aprendê-lo e quem sabe até amá-lo por um poema, versinho ou dissertação. O homem não era prosa, o homem matava seus inimigos com o que tinha de melhor, o homem tinha uma arma perigosa, uma arma mortal, o homem sabia usar essa arma para a evolução... Ele tinha um lápis e bloco de notas, ele tinha, tinha sim – acredite, por favor, acredite. Quando percebi estava imersa em minhas palavras, não havia notado que o rapaz estava olhando ao redor e eu nunca havia visto ninguém olhar para o mundo com aqueles olhos. Como se ele quisesse engolir tudo, até mesmo uma mísera formiga no chão, até mesmo a migalha que essa formiga carrega ou quem sabe a sujeira microscópica que está nas patas da mesma. Ele queria tudo, estava impressionado, estava alucinado, apaixonado, articulado, apaziguado, tranqüilizado, pacificado, ele estava intensa e completamente entregue ao fado de ser "ado".

Um comentário:

  1. E o homem escreve o mundo. Sábias e muito bem articuladas as tuas palavras dona moça.

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(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...