segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Morte poética.

Ao som de Yann Tiersen - J'y suis jamais allé.


Aquele momento
De prazer
Que fez nossos corpos
Unirem-se.
Aquele momento
Que durou
Toda uma madrugada
Que em casa
Em silêncio
Eu sofreria
Por não ter
Em meus braços
O que eu queria.
E teus lábios
Rosados
Estariam a me encontrar.
Misturando
Nossa saliva
E eu acreditaria
Se dissesse me amar.
Mas, o quão doce
Eu dividi,
Compartilhei
Com minhas lágrimas
E o lamento
A melodia
Noite adentro
E os sonhos
A se partir
O seu amor,
Antes nosso,
Depois só meu,
Agora se foi, partiu.

Eu quis,
De alguma forma acreditar
Que tudo
Ou nada
Faria algum sentido
Para mim,
Ou para você.
Em noites estreladas
Esperando,
Frente ao cais,
Por um sinal
Anunciando começar a chover.

Eu quis,
Tanto
E ainda quero
Prosseguir.
Acreditando
Ou lutando
E me ferir.
Recuperar.
Consertar-me.
Talvez nos seus braços
Trêmulos
A me tocar,
Enquanto toca
A melodia da minha
Morte.

Talvez finalmente nos tenhamos.
Talvez.
Talvez seja tarde demais;
Talvez você se arrependa;
Talvez se culpe;
Talvez não chore;
Talvez chore;
Talvez me chame;
Talvez me sinta
E me procure.
Sabendo
Que estou
Nos seus braços
Trêmulos
A morrer.

Você saberá que já é tarde
E deverá ir para casa
Dormir.
Mas não conseguirá,
Eu sou a voz que grita em seus sonhos
Eu sou aquela dor dos
Seus pesadelos
E você não viu.
E não vê.
E se esconde.

Talvez devêssemos recomeçar
Voltar ao início
Ou eu deverei
Voltar
Ao final.
E recompor uma peça
Poética.
Na qual eu morro em seus braços
E o enredo será fácil
E crucial.
Você me mata,
Eu morro,
Você chora, ou não chora
Como eu já avisei.
Porque dói,
Não serão textos,
Lamentos ou poemas
Que lhe farão voltar atrás
Mas talvez você veja,
Que ama, amou e amará.

Sem pensar num futuro distante
Que talvez nem mesmo
Aconteça.

Eu poderei estar caída
Ao lado da cama,
Com caixas de comprimido
No chão.
Sumiria
E não mais existiria,
Meu corpo misturaria
Com terra, asfalto ou carvão.
Poderia ser jogada num rio,
Ou cremada,
Mas amada.
Eu amei e fui amada,
Não nego.

Mesmo que um amor imaginário,
Ele nem sempre existiu
E foi real.
Eu a fiz acreditar
Que foi real.
Nosso amor foi
E sempre será
Poesia.
Versos mal feitos
Prosas indecentes
Que uso a me expressar.
E seu corpo, eu vejo
Seus olhos
A me fitar
Um verde molhado
Que eu poderia mergulhar
Nadar, me afogar
Pendurar-me em seu rosto
Cristalizado
E mergulhar como fiz
Na poesia,
Nos seus olhos
Verdes,
Afogar-me
E afogada eu morreria
De amor. Por amor. Com amor.
Da poetisa.

Um comentário:

  1. Digam à Poetisa que a melhor parte de morrer é tentar ressuscitar.

    ResponderExcluir

(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...