terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Aventureiros buscam-se durante a vida, para encontrar-se durante a morte.



Busquei, busquei, busquei
Em meio à claridade,
Em meio à escuridão.
Caminhei em ruas molhadas
A ouvir o barulho d’um trovão.

Milhas e milhas de minha casa,
Do conforto, dos abraços
Fartos de meus pais.

Sozinho, vaguei, na escuridão
Assustadora da noite.
Guiado por um céu
A me trair.
Com nuvens escuras, claras
E até mesmo apagadas.
Sol queimando, lua guiando
Sem mesmo uma rota a seguir.

Fui traído por meus olhos
Fechando-se aos poucos
E meus pés recusando-se
A prosseguir.
Parei em vielas
E becos escuros
Sem vestígios do que procurava.

Não sabia o que queria.
Apenas sabia que tinha que buscar.
Meu coração alertaria
E logo eu saberia
Que acabara de encontrar.

Uma busca incansável, de fato,
Que eu não me importaria
De que durasse minha vida.
Moças bonitas, nos parques;
Homens formosos em avenidas.

Crianças cuidadas,
Pelos pais, amadas.
Jovens enlouquecendo,
Idosos morrendo.

Poetando eu ia.

Um poeta sem rumo,
Talvez sem sabedoria,
Caminhando na direção do Sol
Amando pessoas sem as conhecer
Recitando em tardes molhadas
Esperando, procurando
Algo que jurava um dia encontrar.

Jovens diziam amar-me
Moças jovens, e lindas por vezes,
Que nunca na vida, de fato, vi.
E seu coração – sem querer –
Tive de partir.

Minha busca não terminara
E meu caminho eu prosseguia.
A natureza eu amara,
E a venerara por dias.

Quando um dia percebi
Que estava envelhecendo
E a idéia da busca
Estava desaparecendo.
Eu morreria logo
E por quase todo o mundo
Já havia procurado,
Só faltava-me um local
No qual não havia explorado.

Carreguei para este local,
Tudo o que tinha,
Sonhos e planos que continha
Para com a mente explorar.

Segui meu caminho
E lá, perdido, me encontrei
Frente a frente a uma moça
A me pedir informação
Estávamos os dois perdidos
E buscávamos algo
Que não sabíamos explicar.

Ela passara a vida buscando como eu,
E ao nos encontrarmos resolvemos
Nunca mais nos separar.
Demos as mãos e seguimos
Coletando arte e fazendo a história:

Um homem e uma mulher,
Um poeta e uma poetisa,
Desafiando a vida
Caminhando enquanto der.

Depois de procurar por todo o mundo,
Resolvemos uma criança ao mundo: trazer.
Deixá-la buscando
Um objetivo para viver.
O menino que se fará poeta.

Nós decidimos procurar
No único canto não explorado
E no qual não haveria como voltar.
Despedimo-nos da criança pequena
Que teria o objetivo de completar
Uma busca desorientada e sem rota.

Um jovem para aprender e ensinar
A todos que resolverem ouvir.
Que a vida
Não é apenas esperar.
E há sempre um objetivo a cumprir.

3 comentários:

  1. A rara consolidação dos sentimentos, a solidificação da imaginação. Isso está dentro de você.

    Prazer em ler.

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  2. Eu poeto
    Tu poetas
    Ele poeta
    Nós poetamos
    Vós poetais.

    Eis um verbo que só quem sente e quem poetiza conhece.

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(Como eu estou escrevendo?) Acrescente suas ideias, estrelinha...